Tipos de alterações genéticas: mutações, alterações cromossômicas e epigenéticas

Tipos de alterações genéticas: mutações, alterações cromossômicas e epigenéticas

> Publicado em 19 de maio de 2026

Alterações genéticas são modificações no material genético que podem ocorrer em diferentes níveis, desde grandes regiões dos cromossomos até pequenas mudanças na sequência do DNA, estando associadas tanto à variabilidade biológica quanto ao desenvolvimento de doenças. 

Entre os diferentes tipos de alterações genéticas, aquelas que envolvem os cromossomos tiveram papel central nos primeiros avanços da genética médica.  


Foi a partir da identificação do defeito cromossômico que causa a Síndrome de Down que os cromossomos foram reconhecidos como importantes para a saúde humana, resultando na criação da genética médica


Desde então, essa jornada progrediu do que era visível ao olho humano (o fenótipo da doença) até a leitura direta do DNA. Nesse caminho, as novas técnicas mostraram algo importante para a prática clínica: as alterações genéticas não são todas iguais.  


Por isso, não existe um exame único capaz de identificar todas elas. A escolha do procedimento ideal depende da suspeita clínica e do histórico familiar do paciente.  

Para entender essa complexidade, o primeiro passo é saber quais são os tipos de alterações genéticas. E é isso que vamos explorar a seguir! Boa leitura! 



Lembre-se! Se tiver dúvida sobre algum termo, confira o glossário ao final do texto! 

 



O que acontece quando o DNA sofre uma alteração genética?  

Alterações genéticas causam variações no DNA, formando variantes. Na maioria das vezes, elas são neutras. Isso significa que não trazem nem benefícios nem prejuízos, apenas ajudam a moldar nossas características individuais. 


Algumas trazem vantagens à sobrevivência. Quando isso acontece, costumam ser mantidas e transmitidas para as próximas gerações. 

Mas também existem alterações prejudiciais. Mutações patogênicas e aneuploidias podem afetar genes ou cromossomos, causando as doenças genéticas. 



Tipos de doenças genéticas: monogênicas, cromossômicas e multifatoriais  

Nem toda doença genética afeta a sobrevivência imediatamente. Muitas só se manifestam mais tarde na vida ou quando combinadas a fatores ambientais.  


Por isso, antes de falarmos sobre os tipos de alterações, vamos entender que as doenças genéticas se dividem em três grupos principais: 

  • Doenças monogênicas: surgem quando um único gene sofre alteração (mutações em um único gene). Individualmente são raras, mas juntas representam uma parte significativa das doenças graves. Exemplo: fibrose cística. 

  • Cromossômicas: as alterações cromossômicas podem ser estruturais ou numéricas. Elas envolvem grandes partes ou cromossomos inteiros. São comuns e explicam cerca de metade dos abortos espontâneos. Exemplo: Síndrome de Down. 

  • Doenças multifatoriais: resultam de muitas variantes genéticas, muitas vezes combinadas a fatores ambientais e estilo de vida. Exemplos: câncer. 

 

 

Tipos de alterações genéticas  

Existem várias formas de classificar as alterações genéticas. Uma delas é conforme o nível em que ocorrem no material genético.

Alterações na sequência do DNA  

Ocorre quando há modificações na sequência de bases do DNA, afetando um ou poucos nucleotídeos. Quando afetam o funcionamento dos genes, são chamadas mutações
 

Aquelas que envolvem apenas um par de bases são chamadas mutações pontuais. Compreendem: 

  • Substituições: mutação em que ocorre troca de uma base por outra 

  • Inserções/deleções (indels): mutação que acarreta acréscimo ou perda de um par ou alguns pares de bases. 

 

Alterações estruturais e numéricas dos cromossomos 

Quando as alterações envolvem porções grandes do genoma ou até cromossomos inteiros. Podem ser de dois tipos: 

Alterações cromossômicas estruturais (rearranjos)  

Também chamadas de rearranjos cromossômicos, são mudanças na estrutura de um ou mais cromossomos. Podem ser causadas por: 

  • Deleções: perda de um segmento cromossômico. Ex: síndrome de Cri du chat, deleção de parte do cromossomo 5.  

  • Duplicações: ganho de um segmento cromossômico. 

  • Inversões: mudança na orientação de um segmento cromossômico. Podem causar infertilidade.  

  • Translocações: troca de segmentos entre cromossomos não relacionados. Também pode acarretar infertilidade.


Alterações cromossômicas numéricas (aneuploidias)  

São alterações no número total de cromossomos, como: 

  • Monossomia: ausência de uma cópia de um cromossomo. A síndrome de Turner (45,X0) é o único caso conhecido de monossomia viável em humanos. 

  • Trissomia: aneuploidia caracterizada pela presença de uma cópia extra de um cromossomo. Podem ocorrer em cromossomos não sexuais e sexuais. Ex: síndrome de Down e síndrome de Klinefelter, respectivamente. 



Nível epigenético: alterações na expressão gênica sem mudar o DNA 

São mudanças que não alteram a sequência do DNA. Elas afetam como os genes são "ligados" ou "desligados", processo chamado de expressão gênica.  


Ocorre por vários mecanismos, mas falaremos mais sobre isso em outro conteúdo. Por ora, o importante é saber que as alterações epigenéticas estão relacionadas a diversas doenças, especialmente o câncer.  

Reconhecer que as alterações genéticas ocorrem em diferentes níveis, da sequência do DNA aos cromossomos inteiros e aos mecanismos epigenéticos, é essencial para a prática clínica.
 

Essa diversidade explica por que não existe um único exame capaz de identificar todas as alterações e por que a escolha do teste genético deve sempre considerar a suspeita diagnóstica. 

Assim, compreender os diferentes mecanismos que alteram o material genético é essencial não apenas para explicar a origem das doenças, mas também para sustentar o avanço dos métodos diagnósticos, das abordagens terapêuticas e das estratégias preventivas. 

 



Glossário  

DNA: molécula que armazena todas as informações necessárias para formar um organismo. Também permite a transmissão dessas informações entre gerações. 

Base nitrogenada: um dos componentes do nucleotídeo. Correspondem às “letras” que formam a sequência do DNA como A,T,C,G. 

Nucleotídeo: unidade básica dos ácidos nucleicos, como o DNA e o RNA 

Sequência: ordem dos nucleotídeos no DNA ou RNA 

Gene: trecho do DNA que contém a informação para produzir proteínas ou para regular processos biológicos. 

Cromossomo: estruturas que contém o DNA 

Genoma: conjunto completo do DNA de um organismo, incluindo todos os genes e regiões regulatórias. 

 

 

Fontes:  

1. Yu X, Zhao H, Wang R, Chen Y, Ouyang X, Li W, Sun Y, Peng A. Cancer epigenetics: from laboratory studies and clinical trials to precision medicine. Cell Death Discov. 2024;10:28. 

2. Genetic Alliance; The New York-Mid-Atlantic Consortium for Genetic and Newborn Screening Services. CHAPTER 1 GENETICS 101. In: Understanding Genetics: A New York, Mid-Atlantic Guide for Patients and Health Professionals. Washington (DC): Genetic Alliance; 2009 Jul 8. Available from: NBK115568. 

3. Queremel Milani DA, Tadi P. Genetics, Chromosome Abnormalities. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. [Updated 2023 Apr 24]. Available from: NBK557691. 

4. Durland J, Ahmadian-Moghadam H. Genetics, Mutagenesis. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. [Updated 2022 Sep 19]. Available from: NBK560519. 

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Sobre o autor

A Genesis Genomics é uma empresa brasileira dedicada à genômica, oferecendo cuidados de saúde avançados.